
“Contemplam-se estas fotografias como se olha uma janela: vendo-se para além delas, num sem-fim de horizontes que hesitam entre morar dentro ou fora de nós. Uma diferença de fundo distingue o fotógrafo na África: o modo como ele surpreende o Tempo. Sendo um caçador de instantes, o fotógrafo se apercebe que existe ali uma outra eternidade. E é ele que acaba sendo surpreendido pelo Tempo. Um Tempo circular, enrolado como serpente que morde a sua própria cauda.”
Mia Couto, escritor moçambicano, autor dos textos que acompanham as imagens do fotógrafo Sebastião Salgado no livro África (Taschen – 2007).